Crise impõe mais desafios ao seguro para pequenas empresas
26 de dezembro de 2016

Corretor explica como funciona o seguro para proteger dados de ataques de hackers

Por Denise Bueno

Ataques cibernéticos. Eis um tema que chama a atenção do mundo com tantas apropriações indevidas de dados de clientes pelos hackers. No entanto, a venda de seguro para esse tido de risco ainda engatinha no mundo e no Brasil é quase inexistente. O lado bom dessa situação para as seguradoras é que este é um nicho considerado de grande potencial, pois os executivos acreditam que em breve haverá uma avalanche de contratações.

Nesta semana uma notícia fez com que as consultas sobre o seguro de proteção para ataques cibernéticos disparasse. O Valor noticiou na segunda-feira que hackers roubaram dados de clientes da corretora XP. O jornal teve acesso a toda a lista contendo os dados dos 29 mil clientes, além de informações dos agentes autônomos e da carta ao fundador da XP. Além dos dados cadastrais, o e-mail enviado aos clientes contém ainda os contatos de seis investidores que, segundo os hackers, teriam sido roubados pela quadrilha entre 2013 e 2014, num total de R$ 2 milhões aproximadamente.

Segundo a XP, foram apenas três investidores e o valor desviado — e ressarcido — foi de aproximadamente R$ 500 mil. Os fraudadores usaram dados cadastrais obtidos no sistema para abrir contas falsas em outros bancos, para onde transferiram recursos que originalmente estavam na XP. O Valor fez contato com um dos investidores citados, que confirmou o golpe e disse que o prejuízo foi ressarcido na época pela corretora.

O blog Sonho Seguro foi entrevistar o corretor Caio Timbó, diretor financeiro da LTSeg, para saber um pouco mais do assunto:

Temos visto o risco cibernético aumentar e as empresas ainda não compram o seguro. Por que? É caro ou as coberturas ofertadas não agradam os clientes?

Antes da procura por apólices de seguro, as empresas investem bastante em sistemas de segurança com diversas redundâncias a fim de minimizar ao máximo esta exposição. A solução de seguro é uma solução “fim de tubo”, ou seja, quando alguma ocorrência / ameaça já se manifestou em reclamação e trará dano ao patrimônio da empresa. Talvez este seja um dos principais motivos que leve algumas empresas a direcionar investimentos em proteção frente a investimentos em remediação de ocorrências. Quanto ao preço, há diversos fatores que influenciam na subscrição do risco e consequentemente no preço do seguro para cada cliente, assim não podemos aferir que o preço é um fator determinante para contratação ou não do seguro.

O que precisa ser feito para despertar o interesse dos clientes pelo seguro cyber?

Infelizmente, assim como em outros ramos de seguro, o interesse dos clientes passará a ser despertado quando mais e mais ocorrências, do tipo em que eles possuam exposições, passarem a acontecer com mais frequência (isto sem contar quando a ocorrência é com o próprio cliente, aí o interesse é imediato). Acredito que com o aumento dos casos de cyber crimes veremos mais e mais empresas procurando este tipo de seguro no Brasil.

Quantas seguradoras atuam nesse nicho hoje no Brasil?

Este é de fato um mercado de nicho e o número de seguradoras ainda é restrito, porém algumas das maiores companhias de seguros mundiais, como Liberty, Zurich, XL, AIG e Chubb trabalham com esta carteira.

Há exigências para se contratar o seguro?

Normalmente não há exigências a serem feitas por parte da seguradora, seja num seguro de dano, seja num seguro de responsabilidade. O que há são recomendações para melhoria de processos, qualidade e consequente diminuição de exposições de risco. Em nenhum momento a seguradora vai dirigir o segurado ou determinar como ele vai gerir seu negócio e patrimônio, todavia o devido tratamento do risco por parte do segurado vai impactar diretamente na taxação no momento da subscrição do risco, ou seja, impacta diretamente no custo do seguro.

Que tipo de informações são solicitadas para que a seguradora possa taxar o valor do seguro?

As seguradoras, quando da subscrição do risco, solicitará informações sobre política para proteção de dados e privacidade; política de compliance e de qualidade; estruturação de firewall, anti-virus em seus computadores, e-mails e servidores contra vírus, worms, spyware e outros malwares; procedimentos implantados para identificar e detectar falhas no sistema de segurança de rede; controles implantados relacionados a segurança física no local do Proponente para proibir e detectar o acesso não autorizado ao seu sistema de computador e data center; se o segurado coleta, armazena, mantém ou distribui cartão de crédito ou outras informações de identificação pessoal (RG, CPF, etc); se o segurado processa pagamento em nome de terceiros, incluindo transações de eCommerce; se o segurado possui requisitos de criptografia para dados em trânsito e de dados armazenados para proteger a integridade dos dados confidenciais; e, finalmente, informações sobre sistemas de backup e redundâncias.

O que vocês recomendam aos consumidores sobre o que deve ser levado em conta antes de comprar esse seguro?

Como atualmente praticamente todos os negócios e empresas navegam em ambientes digitais, armazenando seus dados e dados dos seus clientes ou fazendo transações via internet, é imprescindível que o risco cibernético seja pelo menos considerado nas suas operações. É muito importante que as empresa tenham ciência de suas exposições e o potencial de prejuízo que um cyber ataque possa causar ao seu negócios e a seus clientes. A responsabilidade legal sobre dados pessoais e financeiros pode causar um descompensamento de caixa tamanho que impacte na continuidade do negócio atingido, além do descrédito futuro que possivelmente inviabilizaria a existência do negócio. Tendo isto em mente faz total sentido uma empresa avaliar não só a necessidade ou não de um seguro cyber (para se proteger e proteger os seus clientes), mas também qual o limite(R$) e quais coberturas devem ser contratadas, daí a importância da consultoria de um corretor de seguros capacitado.

 

Fonte: Blog Sonho Seguro

Link para a matéria: http://bit.ly/2jwHhgt

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